QUASE TUDO SOBRE PIPAS

WORKSHOP SOBRE PIPAS
23/8/2013

Expositor: Sérgio

A Arte de empinar pipas

VEJA PASSO-A-PASSO COMO FAZER PIPA
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Segundo estudiosos, o empinamento de pipas é praticado no Extremo Oriente desde as primeiras eras.

O Ocidente só efetivou sua prática a partir do século XIV. Os primeiros mercadores portugueses, ingleses e holandeses é que teriam levado a pipa para a Europa.

Teorias, lendas e suposições tendem a demonstrar que pipas nasceram na China antiga. Sabe-se que por volta do ano 1200 a. C.

No décimo segundo século, na Europa, as crianças já brincavam com pipas.

As pipas foram utilizadas como dispositivo de sinalização militar. Os movimentos e as cores das pipas eram mensagens transmitidas à distância entre destacamentos militares.

  1. Na Guerra de Secessão nos Estados Unidos, os Federais usaram-na para lançar panfletos sobre as tropas dos sulistas;
  2. Na Primeira Guerra Mundial, ela serviu para elevar aos ares espiões, que buscavam informações a respeito das instalações inimigas;

No Egito hieróglifos antigos já contavam de objetos que voavam controlados por fios. Os fenícios também conheciam seus segredos, assim como os africanos, hindus e polinésios.

Empinar pipa também é um esporte – e recebe o nome de Eolismo – Eolo deus grego dos ventos e das tempestades. No popular quem empina, constroi ou ensina sobre o assunto é pipeiro.

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PIPA E AS GRANDES INVENÇÕES

MARCO POLO (1254-1324) grande navegador explorou as potencialidades da pipa, embora levado por motivos menos lúdicos. Conta-se que, em suas andanças pela China, ao ver-se encurralado por inimigos locais, fez voar uma pipa carregada de fogos de artifício presos de cabeça para baixo, que explodiram no ar em direção à terra, provocando o primeiro bombardeio aéreo da história da humanidade;

LEONARDO DA VINCI gênio italiano – cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico, em 1496, fez projetos teóricos com nada menos que 150 máquinas voadoras, também baseados na potencialidade das pipas;

BENJAMIM FRANKLIN em 1752 em uma experiência demonstrou definitivamente a importância das pipas na história da Ciência. Prendendo uma chave ao fio de uma pipa, ele a empinou num dia de tempestade. A eletricidade das nuvens foi captada pela chave e pelo fio molhado, descobrindo-se assim o pararraio;

SANTOS DUMONT conseguiu voar no famoso 14 Bis graças ao conhecimento das pipas, no final das contas, não deixa de ser uma sofisticada pipa com motor;

GEORGE CAYLEY, em 1809, realizou, através das pipas, o primeiro pouso acontecido na História, experiência com fundamentos aeronáuticos que mais tarde seriam utilizados na NASA pelo engenheiro americano FRANCIS M. ROGALLO com as naves Apolo, que criou assim os paraquedas ascensionais (parawings), que permitem ainda hoje um perfeito controle do retorno à terra das cápsulas espaciais;

GUGLIELMO MARCONI em 1901 foi um pioneiro do rádio, considerado seu inventor oficial, e um empresário de sucesso. Tinha apenas 23 anos de idade quando patenteou um sistema de telegrafia sem fios que lhe assegurou o monopólio das radiocomunicações e, mais tarde, o Prêmio Nobel de Física (1909). GRAHAM BELL usou a experiência para a invenção do telefone.

GRAHAM BELL – cientista inventor do telefone queria construir uma pipa de caixas ou de cones, ao mesmo tempo fortes, rígidas, tridimensionais, com um tipo de material leve o suficiente para voarem a grandes alturas. O resultado foi uma pipa em forma de tetraedro, coberta por tecido, grande ou pequena conforme o numero de tetraedros utilizados, integrando um único conjunto. Dizem que ele chegou a construir uma com quase 4 mil peças. Ele estudou sobre o assunto de 1890 a 1940, levando instrumentos meteorologicos que traziam preciosas informações sobre temperatura, velocidade do vento, umidade ou pressão barométrica

ROGER BACON inglês, no ano de 1250, escreveu um longo estudo sobre as asas acionadas por pedais, tendo como base experiências realizadas com pipas.

BARTOLOMEU DE GUSMÃO brasileiro – século 18, época das grandes descobertas, mostrou projetos de sua aeronave Passarola ao rei de Portugal, graças a estudos conseguidos através das pipas.

ALEXANDER WILSON Grã Bretanha – 1749, empinou um série de seis pipas presas em uma mesma linha, cada qual carregando um termômetro, conseguindo determinar as variações de temperatura, em função das diferentes altitudes.

B.F.S. BADEN PAWELL o irmão mais novo de BADEN PAWELL – 1894, o fundador do escotismo, elevou-se três metros do chão por um trem de quatro pipas hexagonais com 11 metros de envergadura cada, tornando-se o primeiro homem erguido do chão com auxílio de pipas, fato que mais tarde seria repetido em escala militar por exército durante a 1a Grande Guerra Mundial.

Através desses fatos temos uma gama muito grande de utilização das pipas através dos tempos. Elas simbolizam o poder espiritual dos homens, um grande instrumento na busca de novas descobertas e objeto capaz de tornar realidade o antigo desejo de voar, o sonho de Ícaro e de toda humanidade.

O empinamento de pipas é o esporte favorito do povo das Ilhas Maldivas e é considerado o esporte nacional no Tibete. Na Indonésia é um símbolo espiritual.

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PIPA PELO MUNDO

ALEMANHA – Drachen, Papierdrachen, Hirschkafer, e, no leste, Alf

ARGENTINA – Barrilete, Cometa e Volantin

BARCELONA (em catalão) – Stell

BÉLGICA – Didak

CHILE – Volantin e Cambucho

CHINA – Feng-cheg(jogo ou joguete do vento), Shirosshi e Shiem

CORÉIA –  Yoah

CUBA – Capuchina, Chiringa

ESPANHA – Cometa

EUA e INGLATERRA – Kite

Finlandia – Leijani

FRANÇA e países de língua francesa – Cerf-volant

Grecia – Aetos

Hungria – Sarkany

India e Afeganistão – Patang

Inglaterra, Estados Unidos e outros países de lingua inglesa –  Kite

Irã, Iraque, Baren – Tairawakia

ITÁLIA – Aquilone e Ciervo volante

Japão – Takô

Libano – Tayara

MAIA / idioma da civilização Maia – Atok’er

MALASIA e INDONÉSIA – Wau

MÉXICO – Papaloti (mariposa)

NEPAL – Tchiang

PORTUGAL – Papagaio

RÚSSIA – Vozdouchnei-ziniei / Z’=mei (serpente)

SRI LANKA – Chiriachirou

SUÉCIA – Drakar

TCHECO-ESLOVAQUIA (em Eslavo) – Jarkam

TCHECO-ESLOVAQUIA (em Tcheco) – Drak

URUGUAI – Cometa

VIETNÃ – Caidéu

No décimo segundo século, na Europa, as crianças já brincavam com pipas.

Outros países de língua espanhola – Birlocha, Pandorga, Milocha, Bola, Papalote, Pájara, Pajarilla, Pájaro, Bitano, Dragon.

Como significado, a palavra “Dragão” revela-se a mais universal (Alemanha, Bohêmia, Dinamarca, Armênia, Suíça, Hungria e em muitos países de língua espanhola). A origem desta preferência remonta à mitologia oriental, segundo a qual o dragão produz vento e chuva, benefícios para a humanidade.

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PIPA NO BRASIL

Nós brasileiros conhecemos as pipas através dos colonizadores portugueses por volta de 1596.

Um fato pouco conhecido de nossa História deu-se no Quilombo dos Palmares, quando sentinelas avançadas anunciavam por meio de pipas quando algum perigo se aproximava – mais uma prova de que a pipa era conhecida na África há muito mais tempo, pois os negros já cultuavam-na como oferenda aos deuses.

Os nomes que a pipa ganhou aqui derivam do animismo que o povo atribuiu ao objeto. Por sua semelhança com a “arraia” ou “raia”, a pipa é assim chamada em muitos lugares do país.

Por sua variedade de cores e pela circunstância de voo ela é também denominada “papagaio”.

O próprio nome “pipa” deriva da semelhança que o objeto tem com a vasilha bojuda de madeira que serve para conter líquidos;

No Rio Grande do Sul é uma autêntica tradição espanhola o velho costume de empinar pipas na sexta-feira santa. As pessoas saem cedo de casa, com um farnel na mão e a pipa pendurada nas costas, e seguem para os cerros da região, longe dos fios que fazem a transmissão de energia, para dedicar-se ao esporte.

Além dos conhecidos nomes “pipa”, “arraia” ou “raia”, “papagaio”, “pandorga” e suas variantes, é chamada de muitas outras formas nas regiões do país:

  • Amazonas – Cangula, Guinador, Frade, Curica e Estrela
  • Ceará – Barril, Bolacha, Cangulo, Estrela e Pecapara
  • Rio de Janeiro – Cafifa, Laçadeira, Estilão, Gaivota, Marimba, Pião, Modelo, Quadrado e Carambola
  • Maranhão – Jamanta (quando grande) e Curica (quando pequena)
  • Pernambuco – Camelo e Gamelo
  • Rio Grande do Norte – Coruja
  • Minas Gerais – Frecha, Catita, Quadra e Lampião
  • São Paulo – Rainha, Peixinho, Quadrado, Quadrada, Quadradinha e Índio
  • Pará – Maranhoto, Curica, Pote, Guinador e Cangula
  • Rio Grande do Sul – Churrasco, Barrilete, Arco, Estrela, Caixão, Bidê, Bandeja, Navio e Pipa
  • Santa Catarina – Papagaio e Barrilote
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CONSTRUÇÃO E EMPINAMENTO

Uma pipa se constitui das seguintes partes principais: armação, amarração, cobertura, rabo e linha (cordel).

A armação é o esqueleto da pipa. É formada por varetas, barbante, e em alguns casos, substitui-se este por fios de arame, muito finos. As varetas são feitas, geralmente, de taquara, bambu ou do eixo da palha de coqueiro. As mais simples das pipas são feitas de duas varetas cruzadas em xis, com suas extremidades unidas por cordão.

A amarração é formada por meio de fios que prendem e firmam o esqueleto da pipa. Para ligar a pipa ao cordel a amarração é feita, normalmente, dos ângulos superiores e do centro à extremidade da linha principal.

A aderência da cobertura às varetas e cordéis é feita com cola. Em nossos dias utiliza-se muito a cola industrial, abundante e de fácil aquisição, sendo preferida a do tipo “cola-tudo”, encontrável em qualquer estabelecimento comercial. Entretanto, é comum, ainda, principalmente no interior, o próprio empinador fazer sua cola, à qual chama de “grude” ou “goma”. Há, pelo menos, duas modalidades de fabricação caseira: o grude cru e o cozido. É feito com uma mistura de farinha (de trigo, mandioca ou polvilho) e água, dependendo da prática do fabricante conseguir uma boa cola, “no ponto” ideal para uma perfeita aderência dos materiais a serem unidos.

A cobertura mais comum é a feita com papel encerado e ou de seda, preferindo-se material colorido. Com o advento do tecido conhecido por nailon, têm aparecido muitas pandorgas utilizando dito material, bem como o conhecido isopor, muito leve e de fácil preparo para tomar a forma que se deseja. Há uma grande variedade de papel que se presta a confecção de pipas.

O rabo costuma ser feito com tiras de pano, inteiriças ou em pedaços. É muito comum usar-se gravatas velhas para tal. Faz-se, também, rabos com pedacinhos de papel (papelotes), inseridos em um barbante. É peça importante, pois é ele que dá o necessário equilíbrio à pipa.

O cordel é a linha mais ou menos forte que sustenta a pipa pelos tirantes. Com o advento das cordas de nailon este material vem tomando preferência, por ser muito resistente e de pouco peso, não sendo de admirar que, com o correr do tempo, substitua ele totalmente os cordéis e barbantes de algodão, pita ou sisal, correntes em nosso comércio. O cordel é enrolado ou enovelado e vai sendo solto à medida que o engenho sobe.

Para se construir uma pipa simples é necessário um quadrado de papel colorido (papel de seda) com 50 centímetros (em média) de lados ou um pouco mais. A armação é feita de taliscas muito finas, de madeira leve e flexível e pregadas no papel com cola (comumente feita em casa e chamada de “grude”). A cauda (ou rabo, ou ainda rabada) é feita com tiras do mesmo papel amarradas numa linha (pedaço do cordel);

O costume de “envenenar” pipas é universal. Este procedimento é feito para disputas entre elas. Para tal feito existem, pelo menos, duas maneiras distintas: a da linha (cordel) “envenenado” (com o cerol) e a do rabo (ou rabada) com um objeto cortante. A linha “envenenada” transforma-se numa terrível arma cortante.

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PERIGO DAS PIPAS

O cerol e o vidro utilizados para “envenenar” pipas às vezes causam graves acidentes, por seu poder cortante.

Para empinar pipas deve ser observada uma regra básica: nunca empinar pipas em locais onde houver cabos elétricos aéreos. A pipa pode encostar num cabo elétrico e, se sua linha estiver molhada ou enrolada num objeto de metal (uma lata, por exemplo), ela se transforma num excelente condutor de eletricidade.

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e-mail helenice.alberto@gmail.com

3 pensamentos sobre “QUASE TUDO SOBRE PIPAS

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